quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Para os céticos, as estrelas não têm pontas

Dia desses, vi esta frase aparentemente ingênua escrita em algum lugar:

“Acredite em Papai Noel”.

Gostei do conselho, porque tenho a impressão de que proliferam, mundo afora, os que duvidam de tudo. Os que não confiam em ninguém. Os que afirmam já não ter esperanças, os que rechaçam a Deus e ironizam a felicidade. Os que negam os milagres e se gabam de não acreditar em nada.

Pois conto que, noite dessas, vendo um documentário do Discovery com meu marido, soube que as estrelas não são o que eu pensava.

-- As estrelas não têm pontas?!

Imaginei o céu coberto por estrelas que não são estrelas, mas bolas. E, de um instante para o outro, o mundo ficou esquisito. Meu marido achou graça em tanta decepção, e riu mais ainda na noite seguinte, quando olhei para o céu, enquanto caminhávamos perto de casa, e contei-lhe como um desabafo:

-- Não estou nem aí para o que os cientistas dizem.

Não sou cética. Se acredito em Papai Noel, não vou acreditar nos cientistas? Também não sou adepta da teimosia-burra...

Mas que importância têm, certas verdades, diante da beleza do mundo? Quanto da maravilha do seu natal foi pelo ralo quando você descobriu que seu presente tinha saído de uma linha de montagem industrial e havia sido pago, num balcão de loja? Quanto da magia de um casamento iria para o brejo se os noivos soubessem que, no futuro, se divorciariam? Quanta alegria deixaríamos de sentir, se soubéssemos, de antemão, dos desgostos do por vir?

Eu não duvido de nada e tenho na varanda um vaso de esperança e outro de felicidade. E dali mesmo, da varanda, posso ver, todas as noites, que as estrelas têm pontas sim.




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Todo cuidado é pouco com as verdades absolutas

Quem foi que disse que quando chove o dia está feio?

Que pra vida ser linda, a gente tem que estar feliz?

Que pra se divertir, é preciso ter dinheiro?

Que a gente trabalha pra ficar rico?

Mas quem foi que te ensinou que, se não casar, você ficou pra titia?

Que se namorar muito, vai ficar com má fama?

E que se não tiver filhos, sua vida será vazia?

Quem foi que decretou que, pra te fazer feliz, sua cara-metade tem que corresponder às suas idealizações?

Que mudar de idéia é falta de opinião?

Que é chato ir ao cinema sozinho?

Onde é que está escrito que o casamento, pra dar certo, tem que durar a vida inteira?

E que seu ex-marido não pode ser seu melhor amigo?

E que o seu filho tem que ser como você sonhou?

Qual é a lei que reza que a gente tem que ler aquele livro chato até o fim?

E que passar a noite de sexta em casa é perder tempo?

Ou que temos, por obrigação, que aceitar o que nos violenta? Ou sorrir para quem nos desrespeita?

Onde foi que você leu que é fácil fazer a vida valer a pena? E que, se não está feliz, tem que se conformar e fingir?

E que questionar o que aprendeu é perda de tempo ou de energia?

Quem decidiu que, pra ser bonita, a manhã tem que ter céu azul?

Da próxima vez que amanhecer nublado, olhe bem a paisagem do seu dia. Pode ser o começo de uma revolução.